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AID/HIV mortality in Portugal in the 90s : Doenças transmissíveis

MORTALIDADE POR SIDA/HIV EM PORTUGAL NOS ANOS 90 (tit. orig. em inglês)

 

Paula Santana; Helena Nogueira


Este artigo tem como principal objectivo identificar os factores que influenciam a mortalidade do HIV/SIDA em Portugal continental no período de 1995 a 1999 e que poderão estar na origem da má posição que Portugal ocupa no quadro dos países da Europa ocidental. Nesse sentido, foram usados dados de mortalidade (razão padronizada de mortalidade VIH/SIDA e tuberculose pulmonar) e variáveis sócio-económicas numa análise factorial e de clusters que incluiu os vinte e oito agrupamentos de concelhos do continente.
Os resultados sugerem quatro aspectos principais: (1) a distribuição geográfica do VIH/SIDA varia com o género. Nos homens, a mortalidade está concentrada nas áreas de forte urbanização e imigração, com destaque para os agrupamentos da Grande Lisboa e Grande Porto. Nas mulheres, para além dos elevados valores que se observam na Grande Lisboa e Península de Setúbal, verificou-se existirem valores da RPM que merecem destaque em agrupamentos de concelhos que fazem fronteira com a Espanha; (2) Portugal apresenta a maior taxa de incidência e de número de casos de infecção por HIV-2 no quadro dos países da Europa; (3) a Grande Lisboa é o agrupamento de concelhos com maior número de imigrantes africanos e a mais elevada RPM por TB; (4) em Portugal tem vindo a observar-se um aumento da epidemia VIH/SIDA nos últimos anos, principalmente devido aos consumidores de drogas injectáveis e aos heterossexuais.
As políticas sociais desenvolvidas têm tido pouco impacto em aspectos fundamentais da prevenção das doenças (VIH/SIDA e TB), tais como na melhoria das condições de vida/bem-estar e no acesso tempestivo aos cuidados de saúde, com especial ênfase nos grupos de grande mobilidade e seus parceiros e nos consumidores de drogas injectáveis.

 

Palavras-chave: SIDA/HIV; desigualdades sociais; comportamentos de risco; desigualdades geográficas.